Cascata do Pulo do Lobo

A cascata do Pulo do Lobo ou simplesmente Pulo do Lobo é uma queda de água que se localiza no rio Guadiana. Cerca de 18 km a norte de Mértola, distrito de Beja.

Pulo do Lobo – Foto de Muchaxo @Flickr

Cascata do Pulo do Lobo

A caminho do Pulo do Lobo, o percurso torna-se difícil e, por entre a vegetação densa de estevas, sargaços e trovisco, surge, no entremeio das escarpas rochosas, o moinho escondido e esquecido, testemunho de tempos em que o rio tinha outra “serventia”. A natureza selvagem impera e não é de estranhar avistar por aqui o voo de uma cegonha-preta  ou de uma águia–imperial-ibérica. O caminho segue agora junto ao rio, à direita desenvolve-se uma vegetação luxuriante, ainda pristina (i. e. antiga, primitiva), são os remanescentes do bosque de azinheira, com a trepadeira salsaparrilha, o folhado, o espinheiro-preto, a aromática murta e a gilbardeira, também conhecida como erva-dos-vasculhos e com a qual se faziam vassouras.

Pulo do Lobo – Foto de Muchaxo @Flickr

À medida que o Pulo do Lobo se aproxima o terreno torna-se mais acidentado e o desafio da caminhada aumenta. À chegada, a tranquilidade e magnitude daquele lugar único, são um convite claro ao silêncio e à contemplação.

O Pulo do lobo é um ex-libris do Parque Natural do Vale do Guadiana. Nesta queda de água, formada há aproximadamente 110.000 a 10.000 anos, sentem-se as forças telúricas (i.e. da Terra) em ação, que vão moldando o vale do rio. Após se precipitar de cerca de 16 m sobre o pego do Sável, o rio avança em busca da foz. Nesta direção, o rio corre mais estreito entre as paredes rochosas da corredora.

Pulo do Lobo

Por cima deste vale, é visível outro mais antigo, a plataforma que se avista é o fundo do rio antigo. Na corredora vivem e criam a cegonha-preta, a águia-real e o bufo-real entre muitas outras espécies ameaçadas. Em torno, o matagal mediterrânico enche o ar de cores e cheiros. O Pulo é geologia, é paisagem, é biodiversidade. É também símbolo do inconformismo de um rio que não desiste de encontrar o mar mais a sul.

Adaptado de icnf.pt